segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Eat & Drink

No sábado passado, entre um gin e uma cerveja "Tennent's" entrámos num barzinho muito agradável, música entre o jazz e o twist, ao vivo se aparecerem cedo, boa comida e ambiente alternativo, pessoas que parecem estar naquela franja dos intelecto-musicólicos-viajantes. Boa gente e um piano que parece ter pertencido ao Charlot. Postais antigos, fotos. Sofás e copinhos de plástico. No centro de Glasgow, Bath Street. E um nome engraçado:

Mais coisas sobre este bar na página: http://www.thebutterflyandthepig.com/

Quanto a pubs, recomendo um com preços acessíveis, espaçoso e acolhedor, onde eu celebrei o meu 29º aniversário. Se estiver bom tempo (quase nunca, mas ok...) podem ir para a esplanada com grandes mesas de madeira e vistas para os campos de Milngavie. Recomendo (para partilhar) "Breaded Mushrooms" de entrada, "Traditional Fish & Chips" como prato principal e, de sobremesa, o doce "Sticky Toffee Puding". Uma foto para ficarem com a ideia:


Outro sítio que devem frequentar é a ruela de Ashton Lane, cheia de bares, é só escolher: entre o Loft e o Brel é a minha selecção. No Loft há música comercial e espaço, no Brel há música alternativa e cerveza Belga.


Falando novamente de comida, conhecem um fruto/vegetal chamado Ruibarbo? Pois eu também não conhecia. Mas aqui fazem muitos doces com este fruto, a que chamam Rhubarb. Há também iogurtes. Não está nada mau! Há muito tempo que não provava um sabor tão diferente do que estou habituada. Cozinhado, fica com uma côr estranha, entre o cinzento e o verde, é como provar pequenos pedaços de marciano cozido :-) Aqui vai uma foto:

Home is where the heart is!

A minha estadia por terras de clãs e de suas majestades está a terminar. Daqui a duas semanas rumo ao Norte e minutos depois ao Sul de Portugal. Tudo num só dia. Pousar as tralhas, pegar nos bikinis e na toalha às riscas e passar 4 dias a tirar a barriga de misérias. Sol. Calor. Praia. Irmãos a jogar vólei. Pais a tomar café. O "Jota-éne". Algarve, não me desapontes. Esperei um ano inteirinho por isto…

(Foto: Castelo do Queijo, Porto. Agora quero é passear por aqui!)

Por cá continua a chover, 19/20 graus de máxima, muitas muitas nuvens. Nuvens pesadas. O meu cabelo está a cair como se fosse Outono!

Na televisão estou a adorar ver o “America’s got talent” e o “Dog whisperer” (já ouviram falar deste programa em Portugal? Um gajo mexicano com um incrível poder para mudar o comportamento de cães violentos, desobedientes, mimados… num piscar de olhos. Mas tenho tantas saudades de ver o Zézinho Rodrigues dos Santos na televisãozinha! Por falar no José Rodrigues, acabei de ler o “Codex 632”. Muito bom, sem dúvida. É verdade que vão fazer um filme sobre este livro? O que eu ainda não vi/li foram as reacções de historiadores/investigadores a este livro, a esta teoria de que o Cristóvão Colombo era um judeu português. Gostava de ver o que dizem os investigadores "de toda la vida".

O meu próximo livro (a ler) vai ser em Espanhol: “El ladrón de bicicletas”. E depois “The Stone Gallows” em inglês. Quem me conhece bem sabe, ultimamente tenho lido um livro em português, um em espanhol e um em inglês, voltando depois ao português. Um truque para “keep practicing”.
Quem “keep practicing” mas nunca lá chega é o Harry Potter. Quantos livros/ filmes é que faltam para ele matar o chefe da força negra? Vi o último filme, “Harry Potter and the half blood prince” mas a piada já não está lá.

Em breve apanho o Ferry para Santander, compro a Glamour, a Telva, a Marie Claire e a Hola e esqueço-me destas nuvens pesadas da Escócia. Apesar do tempo (que conta muito mais do que eu imaginava) a temporada por cá foi agradável, cosy, segura, verde fresca, cheia de comida bem condimentada, de bacon & eggs e de weetabix. Bons pubs, bons bares, boa (e barata) cerveja, bom gin tónico, bons sumos de frutos silvestres.

Vou ter saudades do meu ginásio, das minhas aulas de body-combat (Holmes Place, mi aguardi!), da TopShop, do à-vontade das pessoas nas formas de vestir, dos homens discretos na rua que não dizem disparates do tipo “ó boa” , dos colegas do Miguel da faculdade, das festas com sabor a estudante, do verde mais verde não há, mesmo pela cidade, deste espírito “no matter the weather” que os Escoceses têm, saindo para passear o cão e a criança mesmo quando está a chover a cântaros, dos meus colegas da HP a corrigirem-me o inglês e a rirem-se com as minhas comparações com Portugal e os meus comentários sobre as comidas da cantina. Vou ter muitas saudades da comida da cantina – lá vou eu voltar ao tupperware nas mesinhas ridículas da cafetaria da HP, de pé… Aqui há condições, mas não há sentimento, há só simpatia. O sentimento, o que me constrói e consolida todas as minhas experiências externas é Portugal, o nosso pequeno Portugal onde ainda se roubam antenas dos carros.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

OOO - Vacation in Highlands and Skye

OOO ou Out of Office de novo, outra semaninha. Tudo começou em Glasgow, pela Catedral e pela Necrópolis, que faltava visitar. No dia seguinte, o Miguel ficou a saber que não ficou com a vaga de residente na Faculdade de Veterinária de Glasgow. Foi um dia triste mas mesmo assim fizémos uma bacalhoada cá em casa. Agora é pensar no regresso e planificar a nossa tão ansiada estabilidade em Portugal.
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O Clio, sempre surpreendente, aguentou uns quantos mil quilómetros mais por caminhos nunca dantes navegados, neste caso pelo norte da Escócia, as chamadas Highlands. Fomos a Oban, Fort William, Fort Augustus, sempre por estradas decentes e sem ter de pagar fortunas em portagens. Vimos milhares de ovelhas. Já percebi porque é que lamb está sempre no meu lá na cantina da HP. Vimos lo Loch Ness mas nada de monstro. É engraçado como mesmo depois de sermos crescidos e sabermos que não existe monstro nenhum (ou se existiu já morreu bem morto porque já passaram uns aninhos - o monstro foi avistado pela primeira vez no século 7º) não conseguimos deixar de o procurar pelo lago. Sem ser o lago mais bonito da Escócia, o Loch Ness é um senhor lago, grande, azulão e comprido.
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Depois de uma passagem por Inverness e pela chuva violenta das montanhas de Glen Coe, com as suas centenas de pequenas cascatas de água por montes e montes (estes nunca conhecerão uma seca), os optimistas Miguel e Joana passaram as duas pontes que ligam a ilha da Grã-Bretanha à ilha de Skye. O nosso hotel era simpático embora os corredores fossem tão pequenos que nem eu e um minúsculo japonês passávamos ao mesmo tempo, lado a lado.
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Pequeno-almoço cedo, para aproveitar o dia. No primeiro Bed & Breakfast onde ficámos tentámos o "Full Scotish Breakfast", mas foi mesmo só para experimentar. Incluía nem mais nem menos que duas salsichas, um ovo frito, bacon, um scone de batata, tomate assado, black pudding (é uma espécie de migas) e cogumelos. Umas 5000 calorias, uma bomba.
Na primeira voltinha pela "Isle" deu para ver que a ilha é pouco habitada. Quase nada. Por pessoas digo, porque ovelhas estão em todo o lado, cada uma com a sua cria, no meio da estrada, por cima dos passeios...
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Visitámos e castelo de Dunvegan e apredemos muito sobre o sistema antigo de clãs e mais propriamente sobre o clã McLeod, donos do castelo. O sortudo do herdeiro tem uns belos jardins sim senhor. Passámos depois por Portree, supostamente a "metrópole" da Ilha de Skye. Mas estava tão deserta a dito metrópole! Um grupinho de jovens de 19-21 anos com sacos plásticos cheios de fantas e vodkas e pouco mais. Este grupo de jovens falava Gaélico. Não se entendia nada de nada de nadinha. Vimos umas gaivotas com a cabeça castanha. Por aqui devia haver tanta neblina num destes dias que os corvos confudiram as corvas com gaivotas e saíram uns quantos, como lhes chamou o meu imaginativo husband, "corvotas".
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Castelinhos, museus e jardins à parte, o melhor da ilha de Skye são mesmo as paisagens montanhosas com o mar logo ali. Mas amigos e amigas, nada que chegue aos calcanhares dos Açores. No way. E não entendi porque é que numa ilha tão grande e espaçosa há tantas estradas principais (leram bem, principais) com "one way track", um sentido, pouca visibilidade e alguns "passing ways" (tipo berma para pararmos e deixarmos passar o trânsito). Não habia nechechidadem che che che, for God sake. Apanhámos uns quantos sustos porque os locals não apitam nem nada, a montanha russa de estradinhas pode ser perigosa mas eles é sempre em frente e sem medos! E passam camiões!
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Foram 5 dias frios com um dia menos frio no final. O sol apareceu no nosso passeio pelas margens do rio Dee, o rio que passa em Balmoral, casa (castelo) de férias de Verão da família real Britânica. Póneis, flores, abelhas gigantes e audio tour. Fiquei a saber quase tudo sobre e era Vitoriana e os amores reais. Mas não entendi porque é que passam o Verão na Escócia se aqui não há Verão. Bem... eles lá sabem.
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Perto de Balmoral há uma vila absolutamente amorosa chamada "Ballater". Com alguns B&B engraçados e com 1 igreja por cada metro quadrado.
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De volta a casa ainda passámos por Aberdeen só para ver a praia e depois back to reality.
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O melhor das férias na Escócia: a decoração dos B&B's e o castelo mágico de Eilean Donan.
O pior: o motard que se ofereceu para nos tirar uma foto e pegou na câmara depois de poisar a sandes que tinha na mão e lamber languidamente os dedos...

OOO - Vacation in Portugal

OOO para quem não sabe é Out of Office o que no meu caso e por duas semanas significou estar de férias. Há muito tempo que não tinha 15 dias de férias, e melhor ainda, o meu marido também tinha férias. No meio do entusiasmo fiz uns planos incríveis para primeira semana pela Escócia e para a segunda pelo norte de Portugal, planos que ficaram um pouco em águas de bacalhau devido à entrevista do Miguel para a vaga de residente de especialidade de Medicina Interna, dia 16. Interrompeu-nos as férias e fez-nos trocar as semanas. Na 1ª fomos à Tugalândia.

Ir à Tugalândia significa andar a correr de um lado para o outro para visitar a família. Entre Porto e Braga (ainda bem que não casei com alguém do Algarve ou de uma aldeia inacessível de Trás-os-Montes) lá andámos nós, num carro emprestado, olá, beijinho, até Agosto, obrigado pela comidinha.
In the meantime fazíamos anos de casados. 4. Sim, já são 4. Por dois dias demos uma escapadela para comemorar os 4 aninhos. Fomos à Serra do Caramulo. O São Pedro esteve zangado num desses dias, a Serra estava em lama. Mas no dia a seguir havia sol e houve escaldão. E mais tarde até houve comunhão solene da prima Ana.

O melhor destes dias: além da sorridente sobrinha e do carrão novo do meu pai (e da comida no Festival do Cabrito do Caramulo), o melhor destes dias foi a Quinta das Lágrimas. Muito bonita, das melhores coisinhas que já visitei em Portugal. É pena estar tão poluída com lencinhos vermelhos desejos de amor e saúde. Adorei as Sequóias.

O pior: andar de avião. Tenho cada vez mais medo. O Miguel fica sempre com o bracinho um pouco negro, coitado.

O Porto sempre com aquele cheiro a ruas de paralelos, a iodo, a mercearias velhas e jardins sujos. Amo-te Porto.

Ai! Esqueci-me de comer uma francesinha. Para a próxima não escapa.

sábado, 16 de maio de 2009

Around Edinburgh

Já agora, lê-se "Édinbrô" em escocês. Se é que esta língua existe.

Faltava aqui umas fotos de Edimburgo, imperdoável! Até agora foi o que mais gostei na Escócia para além do caramel shortcake covered with custard. Edimburgo é tão bonito como Glasgow é feio. Tenho dito.

Eis o Castelo e outras vistas da cidade. Cheers mates!

PS: Se clicarem duas vezes nas fotos, estas aparecem bastante maiores. Vale a pena.


Swansea

Há duas semanas (no primeiro fim-de-semana de Maio) demos um saltinho ao País de Gales ou Cymru em "welsh". Até Swansea, uma cidade à beira-mar onde vive o José Pedro, primo do meu marido. E a namorada. E alguns amigos. E a Tv Cabo (yupiii consegui ver o "Equador", o "Jornal da Noite" e o "Fama Show").

Vivem todos juntos numa casarona com vistas para o mar. Muito agradável. Vieram para o UK porque tinham trabalho, bem pago, boas condições, numa clínica da NHS (SNS de cá). Clínica dentária.

Swansea é a terra da Catherine Zeta-Jones, do Tom Jones e de mais uns quantos Jones. Talvez mais até dos que apareceram no concerto que houve há uns 2 anos e meio em Cardiff (grande cidade perto de Swansea): 1224 Jones, um record do Guiness para o concerto que reuniu mais pessoas com o mesmo apelido.

Foi um fim-de-semana prolongado de sol, para bem dos nossos pecados. Swansea é uma cidade agradável, fresca, azul. Foi uma das cidades mais bombardeadas na 2ª GG e alguns monumentos não foram reconstruídos de propósito, para lembrar aos locais e aos turistas que houve sofrimento e que o mundo não é perfeito como a maré vaza da sua imponente baía.

Deixo-vos uma foto da Langland Bay e de Rhossili, Gower. Lindo! (embora a câmara tivesse um bicho colado ou lá o que é que provocou aquela mancha nada a propóstio...grrr).

Tv Licensing

Para ver televisão aqui no Reino mais ou menos Unido, tem de pagar uma taxa de 142.50£ por ano (no caso de ser um aparelho a côres. São 48£ por um aparelho a preto e branco... mas quem é que ainda tem uma televisão a preto e branco?).

Nós por acaso sabíamos que se tinha de pagar, mas como só ficamos cá até Agosto (acho eu...) pensámos que não tinha lógica pagar por 6 meses. Além disso estávamos contra este pagamento que achámos um pouco ridículo. E além disso nunca pensámos que era assim uma coisa tão séria! Mas, surprise, eles exigem o pagamento e podemos pagar cada 3 meses, e ser reembolsados se formos embora ou se ficarmos sem televisão.

Tínhamos recebido umas cartas ameaçadoras a dizer que a nossa casa não tinha uma tv licensing e que um inspector ia fazer-nos uma visita para verificar se tínhamos uma televisão ou não e corríamos o risco de pagar uma multa de mais de 1000£ no caso de sermos "apanhados".

Bem, para quem não sabia, a nossa casa não tinha uma televisão quando chegámos cá. Uma colega do Miguel emprestou-nos algum tempo depois (eu já estava a desesperar!) uma antiga e bastante ranhosa, a imagem era esverdeada. Os nossos olhos estavam a sofrer e decidi falar lá na HP a ver se algum dos meus colegas tinha uma spare tv que nos pudesse dispensar até Agosto. O Philip tinha.

No dia em que levámos a tv para casa, uns minutos depois de a instalar (estávamos a aprender como se mexia no comando) tocam à porta. Pelos visto morava aqui antes um senhor chamado Mohamed. Eu pressenti logo que alguma coisa não estava bem. O Miguel abriu a porta a dois gajos jovens, um simpático, o outro neutro. "Hello, do you have a tv set?" Ouvia-se a caixa mágica a funcionar e a Rachel dos "Friends" a gritar com o Ross. Impossível escapar. Eram os inspectores (afinal vêm aos pares) da Tv Licensing. Como eu não sabia muito bem o que é que o Miguel ia responder, tentei pôr a televisão mais baixo mas só consegui desligá-la parcialmente, o ecrã ficou com aquela chuvinha cinzenta e a fazer chhhhhhh. O Miguel foi sincero (não havia muito mais a fazer) e disse que sim e que a tínhamos trazido exactamente nesse dia para casa e eles pediram para entrar. Pediram, insistindo. Entraram e até pediram para se sentarem. Também vai um cházinho, já agora? Bla bla bla, e é a lei, e oh mas nós não sabíamos, oh que chatice, oh passem para cá os vossos dados bancários, oh podemos pagar a prestações? oh sim, oh ok. E muita sorte tivemos em escapar da multa.

Mas vocês não viram foi a minha cara de parva quando o Miguel os convidou a entrar e o ecrã estava com aquela chuva cinzenta... ooops. Sorry não sei como funciona o comando, a tv veio hoje, eu queria pôr mais baixo mas não consegui...

Recomendo uma visita ao site deles e uma leitura dos casos em que os inspectores visitaram alguns "incumpridores da lei" que tentam escapar das mais fantásticas maneiras...

Aqui vai o link:

http://www.tvlicensing.co.uk/information/excuses.jsp

terça-feira, 28 de abril de 2009

"Portugal, where's your sun??!"

Este lamento foi feito em alta voz por um adepto do Manchester United, que permanecia com pouco equilíbrio (devido às Super Bocks) numa cadeira vermelha da Buondi e levava às costas um guarda-sol da Sumol para o jogo. Sim, o malogrado jogo onde o nosso querido fêcêpê foi eliminado da liga dos campeões.


O mesmo lamentei eu durante a minha rápida semana de férias pós-Páscoa pelo norte da Tugalândia. Choveu todos os dias. 7 dias. Corrijo: só não choveu no dia em que fomos embora. O sol brilhava desafiador no aeroporto Francisco Sá Carneiro. Ainda não foi desta que me livrei da palidez.


Em Junho não me enganas tu São Pedro. Vais estar tão ocupado com as festas populares que até te vais esquecer do que é chuva, combinado?

Alguém me manda por favor um raiozinho de sol por correio?

Around Glasgow




Deixo-vos uma foto dos Botanic Gardens e do Museu Burrel Collection. Aqui também há coisas giras. São é menos...

Absence

Oh pá, desculpem lá, já sei que há mais de 30 dias não escrevo, mas... não, desta vez não tenho desculpa, foi mesmo preguicite.

Por cá tudo sob controlo. Descobrimos a origem das dores de costas do Miguel, depois do CT Scan/ Raio X (hérnias - sim, no plural, são 3...) e ainda não descobrimos se vamos ganhar ou não algumas pounds com o pedido de indemnização por "personal injuries" depois da estrondosa batidela que aquele senhor deu nas traseiras do nosso 270,000 kilometrado Clio. A dor insuportável da hérnia que está em pior estado foi devido ao trauma da pancada. Será que a justiça Escocesa funciona? Crossed fingers.

O meu pai, irmão e step-mother (madrasta é uma palavra ruim) estiveram por aqui e andamos com eles por vários sítios, incluindo o castelo de Edimburgo. Resolvemos ir num sábado, um previsível dia de brisas geladas e "showers" em que o belo castelo estava a abarrotar de Japoneses e Holandeses. Por incrível que vos possa parecer, a minha parte favorita do castelo foi a prisão. Os prisioneiros de guerra escreveram e desenharam coisas muito giras nas grossas portas de madeira da cadeia. Fiquei espantada com os dormitórios e convencida de que o ser humano é realmente capaz de coisas incríveis, como sobreviver na Escócia sem aquecimento central e dormindo em pequeníssimas camas de rede - medimos, eu e o meu irmão, uma das camas expostas. Para um homem de 1,80 m era completamente impossível encaixar lá.

Depois de enregelar as orelhas em Edimburgo, merecíamos um dia de sol e... tivémos! Um grande passeio em Balloch, com o Loch Lomond como fundo. Até um gelado comemos. Vimos umas quantas latas de refrigerante no parque, o meu pai até tirou uma foto para levar para Portugal a foto da porcaria que os locals fazem e não limpam. 12 segundos depois duas Japonesas acharam que aquele sítio cheio de papéis e latas era de alguma forma turístico (senão não havia um grupo de turistas Portugueses a tirar fotos) e desataram aos flashes... A foto abaixo é na vila de Luss, uma das vilas pitorescas na margem do Lago Lomond.





Por Glasgow o mais fácil (como estávamos a trabalhar) foi pôr as visitas no Citysightseeing bus. Parece que vale a pena, mas "fecha" cedo. Bem, aqui tudo fecha cedo. Quer uma mocinha ir ver uns sapatinhos depois de picar o ponto, no centro, relaxar com montras e bate com o nariz na porta. As lojas fecham às 18. Nada para ninguém. Deve ser uma medida pró-poupança. Ah, sim, claro, temos a opção centro comercial (aqui não há assim tantos, uns 4...) mas é longe, não dá jeito e fecha às 10.

Foi uma visita curta mas feliz. A despedida foi na Queen's Station quando os deixamos no comboio que os levaria de volta a Liverpool. Os vôos directos Porto-Liverpool têm dado jeito, embora Liverpool seja a uns bons 400 kms de Glasgow. Aqui na Escócia têm o pensamento "voar para ir de férias" e os únicos vôos directos para Portugal são para Faro. Chuif...

Umbrella


Só mesmo na Escócia... Ei-la, a máquina de comprar guarda-chuvas por 2 pounds.

domingo, 22 de março de 2009

Southbeach

E porque já tinha saudades do mar, fomos à praia. Ir à praia aqui na Escócia é bastante diferente do que estamos habituados, principalmente em Março. Estavam 4 grauzinhos e um vento cortante. Tão cortante que aguentei duas fotos, snifei o mar e pirei-me para o pub mais próximo. Uma foto é em Troon, a quase duas horas de Glasgow, praia de Southbeach. E a outra é num pub muito muito simpático que até vou fazer publicidade, chama-se Lido e come-se uns cogumelos panados de chorar por mais. Estava a ler um jornal bastante mau.

Repararam? Estou com o tapa-orelhas que os meus colegas da HP Lisboa ofereceram! Obrigado!


Patient Info

O Miguel lá foi ao médico e lá teve a sua sentença preliminar: nerve root syndrome caused by a slip disk. Ou seja, hérnia discal. Para confirmar, mais uma semaninha de espera e um MRI Scan: Ressonância Magnética. Ele bem disse ao médico que tinha pelo menos um kilograma de platina na cara, mas parece que lhe vão fazer um teste antes de entrar na maquineta a ver se realmente o meu marido terminator pode ser examinado. Achei imensa piada ao guia que lhe mandaram por correio, para "ir lendo" antes do exame. Vale a pena transcrevê-lo parcialmente, com a parte que achei mais hilariante. É suposto este guiazinho deixar-nos descansados, mas não. Isso e a pergunta fantástica que costumam fazer antes do exame, segundo me disse um colega: Tem consciência que este exame vai mostrar tudo sobre o seu corpo e a sua saúde, tudo o que quer ver e o que não quer? Está preparado para isso?

Fazer este exame é como ir à bruxa ter um encontro imediato com o nosso futuro, suponho. E cá está o texto (partes dele).

Patient information
(...)
The Scan

You will be made comfortable on the scanning table. The radiographer will explain exactly what to expect as this can vary from examination to examination.
The table will be moved into the scanner slowly, with the part of the body being scanned moved into the middle of the scanner.
The lights remain on, and the scanner remains open at both ends. The radiographer will give you a squeeze ball to use if you need urgent attention. You will be provided with earplugs, or headphones, through which we can play you some music. We have a selection of music but you can bring your own if you wish to.
(...)
Is it painful?
MRI is not painful. You may already be in pain and that is why you are coming for the scan but nothing in the scan will cause you any more pain. We will do our best to make you as comfortableas possible before we start scanning.

domingo, 15 de março de 2009

2 kilos, 1 month

Já fez um mês desde que cá cheguei. Além de trabalhar (sentada), em casa estou novamente sentada (ou deitada) no sofá a ver TV a maior parte do tempo livre after work. Na cantina da HP temos suminhos de cranberry, blackberry, strawberry, tudo com a indicação "one of your 5-a-day". Mas claro que os donuts e os bagels e os muffins são... mais que uma tentação. Além disso, está frio e escuro lá fora, há que comer chocolate e açúcar para resistir a uma depressão climática.


Resultado: segundo a balança do ginásio ao qual eu devia ir dia sim, dia também, peso mais 2 kilos do que quando vim para cá. A minha mãe acha que é bom porque a minha cara estava muito "ossuda" devido ao aparelho e assim podia "compôr-se" um bocadinho. Eu acho que é muito mau mas tenho esperança que as super aulas de body-combat com a professora com pêlos nas pernas e nos sovacos me salvem. Mais uma vez, tento ouvir e acreditar no meu colega Espanhol e na sua sentença: "É impossível não engordar na Escócia. Tudo é frito, de lata, com queijo ou com molhos gordurosos. Não há como escapar. Mas não te preocupes porque numa semana em Portugal e visitando este e aquele, mesmo que comas mais do que aqui, emagreces 2 kilos facilmente...". Porreiro, vamos ver em Abril na semaninha da Páscoa.


Na minha primeira tentativa de ter uma refeição saudável na cantina da HP (há crepezinhos e saladinhas com maionese light) disponho uma salada no prato e pergunto: "Where's the olive oil?". Respondem-me: "Olive oil? We don't have that here. Too healthy for us.". No comments...

Pain Killers

My husband tem uma valente dôr de costas, daquelas brutais que nem sequer o deixa andar como um robô, simplesmente o impede de andar - a não ser com pequenos impulsos dolorosos. Já teve algumas vezes estas dores, mas nunca tão fortes. Tentamos que o médico de família - aqui chamado GP (General Practice) - lhe passásse uma requisição urgente para um TAC (aqui, CTScan) mas parece que estes gajos são uns poupadinhos e nem na Faculdade de Veterinária lhe permitiram o exame, por razões éticas. O tal GP, recomendado pelo chefe da Faculdade, pela segunda vez em menos de um mês manda o Miguel para casa com Ibuprofeno e recomenda que se mantenha activo. Activo??? Como é que é? Se o homem nem consegue subir escadas!!!

Depois de muita conversa e chamadas non-sense com o seguro de saúde "Away from home care" (não digo o nome oficial porque podem google it) lá conseguimos um appointment com um doutor com cara de mau mas com um excelente CV num hospital privado, next tuesday (uma semana de espera). Se isto fôr mesmo mesmo grave, vamos mesmo mesmo processar o GP. Custou-nos muita saliva e saldo do telemóvel conseguir que o homem escrevesse uma curta e simples cartinha a recomendar que o Miguel fôsse visto por um especialista. Parece que o meu colega Espanhol tinha razão quando sentenciou: "Se tens um problema de saúde aqui no UK, recomendo que apanhes um avião e vás ao médico a Portugal".

Mas estou num país civilizado e moderno? Portugueses, párem de se queixar por favor. Viva o nosso sistema de saúde! Vais ás urgência e fazem-te logo um TAC sem que tenhas tempo de dizer ai - às vezes até se esquecem de perguntar se estás grávida.

Espero bem que o Miguel não tenha uma hérnia discal ou alguma coisa pior. Se tiver de ser operado aqui... miedo me da. O que lhe tem valido é a condição de Veterinário e o acesso aos pain killers da farmácia da Faculdade. Se fosse um cãozinho, já estava em casa operado e em recovery.

Jumpin Jacks

Night Out. Neste sítio a tentar imitar o Coyote Bar:

http://www.jumpinjaks.com/welcome.asp

Começamos com uma bebida e a arregalar os olhos pelas borracheiras evidentes das meninas de 16 anos que se pintam nas casas de banho com produtos de beleza emprestados pelo próprio bar (só há que deixar uma pequena contribuição em moedinha). Os brilhantes pink devem estar na moda. O desodorizante Impulse das borboletas cream também. Mmm, no entanto, prefiro a casa de banho, os brilhantes e o Impulse, já que há algum engraçadinho ou engraçadinha que basicamente (como é o meu blog posso dizer estas coisas) se peida à grande, tipo Nutty Profesor na sua mais obesa fase. Uma vez, outra, e mais outra. Toda a gente se afasta da pista de dança a imitar um leque com a mão que não segura o copo. Visto isto, e sem descobrir culpado(a), decidimos encostar-nos ao murinho de madeira e observar. Porque é que as miúdas se vestem todas de uma forma tããããoo parola? De mini-vestidos ou mini-saias, grandes tacões (as que não estão descalças de sapatos na mão), muita maquilhagem, sem mangas (mesmo na rua com 3 graus e à chuva). Party is party, even if it's raining cats & dogs.

Pergunto a uma Escocesa se é normal o pessoal desatar aos pus sem pudor everywhere. Já tinha reparado outro dia no Marks & Spencer... Parece que aqui no se cortan ni un pelo, como dizem os espanhóis. Mais à frente, cheiro horrendo a vomitado. Pá, tudo bem que não se fuma nos bares, pubs, discotecas... mas estes cheirinhos humanos são muito dirty, até mais que um Português Light. Já para não falar na lixeira no chão, sem dúvida estes gajos são mais porquinhos que nós.

Pronto, puseram a tocar aquela horrorosa da Lady Gaga, we're getting out of here. Já me tinha esquecido como é desagradável ver toda a gente relaxed and a bit drunk quando eu o máximo que consigo é beber meio gin tónico, ficar tonta e a cruzar os pés por meia horinha - e ainda tenho de tomar conta dos outros que pensam que estão a curtir bué a vida... até à realidade da manhã seguinte.

Conclusão: aqui o pessoal peida-se sem pudor em sítios públicos, as miúdas vestem-se demasiado provocantes e sem ponta de frio (nem colants são necessários - para quê quando se tem perninhas brancas e brilhantes de brancas-de-neve?) e toda a gente se emborracha e vomita com o maior à-vontade.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Barras Market

Onde é que se pode encontrar um mercado popular e cheio de gente e mercadorias a borbulhar e a colorir a paisagem cinzenta de Glasgow? Mesmo ao lado de Glasgow Green, o parque favorito para as manifestações e revoluções dos locals. Por essa e outras razões que ainda não aprendi está edificado a meio (mais à esquerda ou à direita) o People's Palace com o seu anexo de vidro a fugir para um jardim de Inverno considerável.

Foi duro acordar às 8 num Domingo de vento frio e cortante mas ainda bem que o fiz. A Bea tinha-me dito para me juntar a ela num convívio de professora/ alunos de inglês para uma incursão num dos mercados mais populares da cidade. Depois de 40 minutos de autocarro e mais 20 minutos a pé e a queimar as mãos num caffé late horroroso lá estávamos. De repente senti-me de novo em Erasmus. Tinha uma professora simpática que me corrigia o idioma, uns colegas espanhóis, uma filipina e umas amigas escocesas muito divertidas da professora que nos iam fazendo uma visita guiada.

Primeira paragem, mercado das antiguidades. Numa das mesas antigas a dona tomava o seu Earl Grey. Do outro lado do pavilhão uma sala com roupas em segunda mão. Resisti à carteira porque a Bea me disse que era de pessoa mais velha... mas não resisti ao casaco côr-de-rosa. Mesmo com as ombreiras. 5 pounds (uns 6 euros aprox.). Mais á frente paramos para um bacon & sausage roll (tipo uma bifana mas com bacon e salsicha frita), delicioso mas uma autêntica bomba cardíaca. Eu pedi também um chá e enquanto toda a gente ficou com umas mugs aborrecidas com uma rosa ou uma orquídea pintadas, eu fiquei com a rainha, a própria, ali a enfeitar a minha caneca de chá de limão. Claro que bati palmas e a amiga da professora Marion perguntou logo se o dono do botequim me podia vender a caneca. 50 pence (70 cêntimos de euro aprox.). E levei 3 canecas com a rainha. Aqui tudo tem um preço pelos vistos.

Logo mais adiante, mesmo depois das barraquinhas de cassetes VHS e Beta (que saudades...), um mercadinho de souvenirs e utilidades. Pilhas, kilts, esfoliantes de pés e soutiens copa EEE. A Bea comprou uma guitarra para o novio à qual faltava uma corda - que conseguiu mais à frente por 1 pound. O Miguel de Zaragoza comprou uma t-shirt com o símbolo do chocolate Kit-Kat mas cujo conteúdo era bem diferente, cito: "Have a break, have a KuiqKrap". Espero que entendam mas senão eu posso explicar... baixinho.

Já em versão openair havia tapetes, paninhos com receitas típicas da Escócia, sapatilhas Niki e carteiras Diour. Claro que caí numa trapassita e comprei uma carteira Miu Miu por 10 pounds cujo defeito era uma manchina quase invisível e cujo vendedor me jurou a pés juntos ter ido buscar ao lixo das fábricas de carteiras verdadeiras. Eles adoram a nossa carinha de parvos estrangeiros, right? Mas olha, a carteira é gira e nem foi cara, mesmo que fosse da H&M era barrata.

Eis senão quando a Bea dá um gritinho e diz: "Look, a fancy dresses' store!". Claro que entramos todos de rompante e demos com o nariz (não literalmente falando, mas quase) numa exposição de vibradores. Era realmente uma loja de disfarces mas... daqueles mais a fugir para o eróticos. A professora a fingir que estava chocada ai credo é uma sex-shop, vamos embora e fomos a rir-nos um bom bocado pelo caminho. Mmm, mas aquele disfarce de Heidi não estava nada mau!

O descanso merecido e umas fish & ships no restaurante do People's Palace. Muitas crianças ruivas (algumas têm cores de cabelo verdadeiramente inacreditáveis - juro-vos que vi um miúdo com o cabelo côr de cenoura mas MESMO MESMO de CENOURA). Uma boa conversa e a volta a casa com o saco e a bagagem pópulo-cultural menos vazia.

Para saber mais: http://www.glasgow-barrowland.com/market/history.htm

My Walkabout

Viram o filme "Austrália"? Como diria o Felipe (colega de Internship do Miguel) é uma "peli ñoña romanticona" mas tem um personagem fantástico, um rapaz indígena chamado Nullah que tem de se "preparar para ser homem" indo numa pequena viagem de ensinamentos com o avô.

Pois daí o nome do meu blog, que ainda não tinha explicado. Sinto que estes meses em Glasgow vão ser um "Walkabout" para me preparar para ser... mãe. Aliás, para me preparar para deixar de ser uma miúda e passar a ser uma girly woman. Isto é tudo muito bonito mas ainda não estou grávida nem estarei até ir embora daqui (acho eu...), porém sinto que realmente é um passeiozinho antes do baixar das águas, do amansar da maré e do envio da Mothership para o planeta Adults. São 6 meses por aqui, o mesmo tempo de um walkabout para os Aborígenes Australianos.

Da nossa amiga wikipédia:

Walkabout refer to a rite of passage where Australian Aborigines would undergo a journey during adolescence and live in the wilderness for a period as long as six months. In this practice they would trace the paths, or "songlines", that their people's ceremonial ancestors took, and imitate, in a fashion, their heroic deeds. Merriam-Webster, however, defines the noun as a 1908 coinage that refers primarily to "a short period of wandering bush life engaged in by an Australian aborigine as an occasional interruption of regular work", with the only mention of "spiritual journey" coming in a usage example from a latter-day travel writer.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Seagulls VS. Crows

Big susto. Às 5 da manhã, na minha primeira noite sozinha (nesta) em casa - Miguel a fazer night shift no hospital - com dificuldade em pregar olho e irritada por isso, dou um pulo na cama quando ouço o que me pareceram gritos de pessoas, de crianças. O medo, o horror e... fui à janela comprovar, mas não precisei de muito tempo para ficar mais descansada. Eram umas quantas gaivotas - mas que raio é que andam as gaivotas a fazer aqui a uns 300 km do mar?? - e uns corvos, que aqui são do tamanho de gaivotas, alguns até maiores, à porrada no ar. Pelos vistos isto é muito normal por aqui quando há comida que valha a pena lutar por e quando os corvos se atrevem a aproximar dos ovos das gaivotas. Pareceu-me ver em baixo duas raposas a olhar para cima, mas esta parte já não sei se sonhei. National Geografic - Glasgow Birds' Fight Night. Estas coisas não passam na TV! Deve ter ficado zero - zero como o match de domingo: Celtic:0, Rangers:0. Isto porque se calaram logo a seguir e não houve manifestações de glória.


Ah, é verdade, já tenho TV. Emprestada, mas está aqui. A côr preta está um pouco verde, mas funciona. Um pouco verde não, muito verde, verde musgo. O Obama hoje a falar no Colorado estava completamente green coloured. Parecia envenenado, coitado. Falou muito bem mas disse muitas coisas que eu mesmo tinha dito via communicator à minha colega Sandra, hoje mesmo.

Luss & Love

E o passeio de São Valentim foi por... Luss, Loch Lomond. Loch é como quem diz Lake, em Escocês. E Luss é como quem diz uma praia numa das margens desse enorme lago. Uma praia que é como quem diz uma espécie de praínha com pedrinhas, patos, neblina, pequenos laguinhos congelados ao largo das margens, lamas - sim, há vários tipos de lama - e ilhotas. Gira mas deixa a desejar... que me desculpem os Escoceses, se calhar isto com Sol é diferente. De certeza que quem pôs aquelas fotos de Luss na net também pensou o mesmo e esteve vários dias (de certeza absoluta) sentado a atirar migalhas aos patos e a coleccionar anõezinhos do centro de artesanato até haver um sol digno de foto.

É engraçado olhar à volta e ver umas casinha pequenitas muito cosy e british, com fuminho a sair das chaminés e sem cortinas nas janelas - e ninguém olha lá para dentro, só mesmo nós tuguinhas que até tecemos comments sobre a decoração da cozinha e o robe e chinelos do senhor no sofá. Pareceu-me ver um gato, oops, se calhar não, é uma loicinha decorativa.

Há sempre o Pub da vila, quentinho e com falta de luz (ou são os meus olhos que ainda não se habituaram à falta de Sol). Desta feita decoradíssimo com cartazes de Happy Valentine's day e Hearts por todo o lado. Comemos a melhor sopa de lentilhas do mundo e depois de uma procura adiada de uma cache (não vos contei ainda mas enquanto esteve sem mim o Michael resolveu adoptar um passatempo engraçado, o geocaching, google it!), por causa do meu medo da escuridão, neblina, lama e silêncio absoluto no meio de um bosque desconhecido - já agora o facto de termos perdido o sinal de GPS também contribuiu em muito para a desistência - fomos embora.

Inauguramos o forno de baixo - sim, tenho dois fornos, um com grill e um sem - com um belo roasted chicken. São Valentim, esquece os bombons. A minha sopa de espinafres tem mais efeito afrodisíaco que qualquer chocolate. Beijinhos e keep romantic!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

First Photos


Neve, vista da minha casa, afluente nevado e parcialmente congelado do rio Clyde (ainda não sei o nome deste... sorry!) e um postal cómico com as Scottish Seasons (repare-se no pormenor - está sempre a chover, mais ou menos, mas sempre. Repare-se também nos botins da ovelha). Foram os meus primeiros 12 dias na Escócia. Gelados por fora, quentes por dentro - inside my house devem estar uns 25 graus, no pavilhão da HP em que trabalho uns 27.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

First Impressions

Ok, já aterrei... em Londres. tudo branco, aeroporto inclusive, só vi a pista quando as rodinhas tocaram no chão gelado de standsted.

"How was the wheather in Portugal?" pergunta o revisor do passaporte. "Fine, quite warmer than here".

5 horas e uma glamour depois passo para o próximo vôo e mais umas pounds de excesso de peso. Quem me mandou a mim trazer uma malona?

O Michael esperava-me no aeroporto com umas flores, a tempo e horas de um beijinho de boas vindas e de me ajudar a carregar a malona. Começa bem, foi ele que esperou por mim no aeroporto e não ao contrário, como era costume ;-)

O frio começa a entrar na pele e depois nas veias e depois o carro finalmente começa a aquecer. Vamos directamente à casa recém renovada por dentro onde viveremos nos próximos meses. Entramos e está um gelo terrível. Tentamos todos os botões, torneiras e tubos -sim, tubos. Claro que às tantas tanto tubo e botão aberto resultou numa mini-inundação na cozinha - na nossa e na da vizinha de baixo que veio a correr bater à porta a queixar-se da água que escorria da sua kitchen's lamp. Começamos bem...

Muitas tentativas e uma lasanha pré-feita depois desistimos de ligar o aquecimento e vamos dormir com 2 edredons e 2 graus no quarto. Amanhã, plumber!

Manhã gelada segue-se a noite gelada.

Chegando à HP nem duvidei: toca a ir buscar um balde de latte machiato. A tentação do donut é grande mas resisto: ouvi dizer que toda a gente engorda na Escócia.

Ninguém sabia que eu vinha mas toda a gente se lembra de mim: Hello again Joana, for 6 months now? That's great!

Business as usual e muitos emails. Já tenho saudades de ouvir as minhas colegas a bufar com o stress matinal. Estes não bufam, não reclamam, não reagem... Corrijo, há os colegas latinos e esses têm algum ingrediente diferente. É óptimo poder estar na Escócia e falar espanhol. Principalmente quando não consigo praticar um inglês "standard" e passo a vida a perguntar aos meus colegas escoceses se podem repetir o que acabaram de dizer porque eu não pesquei nothing...

Neve... mmm não gosto nada disto. A volta a casa é perigosa embora as estradas principais tenham sal e estejam desimpedidas. O que eu não gosto mesmo é de caminhar na neve. Aliás, pareço uma aleijadinha. Escorrego, deslizo e dou gritinhos de quase pânico.

A casa é óptima agora que finalmente descobrimos qual era o botão que fazia funcionar o aquecimento. Era exactamente aquele botão com o símbolo do frio (floco de neve). E nós a pensar porque será que há a opção de frio numa terra onde nunca está calor...

Primeiro jantar de vets. Um aniversário, uma despedida. Conversas sobre pacientes de 4 patas, tortilla (eh lá, está maravilhosa esta mistura de ovos com batata), paio, cerveja tennent's (acho que vou mesmo ter de passar a gostar de cerveja) e muita coke.

Quinta-feira foi tranquila (basicamente é a típica chegada a casa depois do trabalho e o mergulho no colchão de espuma onde ficamos deliciosamente enterrados... claro que as costas não agradecem e clamam pela dureza do pikolin longínquo) - mas sexta aventurei-me nos transportes urbanos! 5 libras para voltar a casa e um encontro imediato de primeiro grau com uma considerável raposa que me olhou fixamente, tão fixamente que parei na rua, mesmo a tremer de frio, a retribuir o olhar. Parece que as malandras andam na cidade, quais gatos, a roubar os restos de comida dos caixotes do lixo.

Sábado - sol. Não daquele aberto e luminoso como temos em Lisboa, mas sol.
Cinema com amigos portugueses - já que o marido está a trabalhar... Vi um filme fantástico. Recomendo mas não sei qual o nome quando chegar a Portugal: The Reader, com a Kate Winslet. Intenso. Fiquei com mais vontade de visitar a Alemanha.

Domingo - neve again... All white again. Um dia mais caseiro e um blog novo.

Keep in touch. Eu continuarei a escrever.