
A minha estadia por terras de clãs e de suas majestades está a terminar. Daqui a duas semanas rumo ao Norte e minutos depois ao Sul de Portugal. Tudo num só dia. Pousar as tralhas, pegar nos bikinis e na toalha às riscas e passar 4 dias a tirar a barriga de misérias. Sol. Calor. Praia. Irmãos a jogar vólei. Pais a tomar café. O "Jota-éne". Algarve, não me desapontes. Esperei um ano inteirinho por isto…
(Foto: Castelo do Queijo, Porto. Agora quero é passear por aqui!)
Por cá continua a chover, 19/20 graus de máxima, muitas muitas nuvens. Nuvens pesadas. O meu cabelo está a cair como se fosse Outono!
Na televisão estou a adorar ver o “America’s got talent” e o “Dog whisperer” (já ouviram falar deste programa em Portugal? Um gajo mexicano com um incrível poder para mudar o comportamento de cães violentos, desobedientes, mimados… num piscar de olhos. Mas tenho tantas saudades de ver o Zézinho Rodrigues dos Santos na televisãozinha! Por falar no José Rodrigues, acabei de ler o “Codex 632”. Muito bom, sem dúvida. É verdade que vão fazer um filme sobre este livro? O que eu ainda não vi/li foram as reacções de historiadores/investigadores a este livro, a esta teoria de que o Cristóvão Colombo era um judeu português. Gostava de ver o que dizem os investigadores "de toda la vida".
O meu próximo livro (a ler) vai ser em Espanhol: “El ladrón de bicicletas”. E depois “The Stone Gallows” em inglês. Quem me conhece bem sabe, ultimamente tenho lido um livro em português, um em espanhol e um em inglês, voltando depois ao português. Um truque para “keep practicing”.
Quem “keep practicing” mas nunca lá chega é o Harry Potter. Quantos livros/ filmes é que faltam para ele matar o chefe da força negra? Vi o último filme, “Harry Potter and the half blood prince” mas a piada já não está lá.
Em breve apanho o Ferry para Santander, compro a Glamour, a Telva, a Marie Claire e a Hola e esqueço-me destas nuvens pesadas da Escócia. Apesar do tempo (que conta muito mais do que eu imaginava) a temporada por cá foi agradável, cosy, segura, verde fresca, cheia de comida bem condimentada, de bacon & eggs e de weetabix. Bons pubs, bons bares, boa (e barata) cerveja, bom gin tónico, bons sumos de frutos silvestres.
Vou ter saudades do meu ginásio, das minhas aulas de body-combat (Holmes Place, mi aguardi!), da TopShop, do à-vontade das pessoas nas formas de vestir, dos homens discretos na rua que não dizem disparates do tipo “ó boa” , dos colegas do Miguel da faculdade, das festas com sabor a estudante, do verde mais verde não há, mesmo pela cidade, deste espírito “no matter the weather” que os Escoceses têm, saindo para passear o cão e a criança mesmo quando está a chover a cântaros, dos meus colegas da HP a corrigirem-me o inglês e a rirem-se com as minhas comparações com Portugal e os meus comentários sobre as comidas da cantina. Vou ter muitas saudades da comida da cantina – lá vou eu voltar ao tupperware nas mesinhas ridículas da cafetaria da HP, de pé… Aqui há condições, mas não há sentimento, há só simpatia. O sentimento, o que me constrói e consolida todas as minhas experiências externas é Portugal, o nosso pequeno Portugal onde ainda se roubam antenas dos carros.