OOO ou Out of Office de novo, outra semaninha. Tudo começou em Glasgow, pela Catedral e pela Necrópolis, que faltava visitar. No dia seguinte, o Miguel ficou a saber que não ficou com a vaga de residente na Faculdade de Veterinária de Glasgow. Foi um dia triste mas mesmo assim fizémos uma bacalhoada cá em casa. Agora é pensar no regresso e planificar a nossa tão ansiada estabilidade em Portugal.-----------
O Clio, sempre surpreendente, aguentou uns quantos mil quilómetros mais por caminhos nunca dantes navegados, neste caso pelo norte da Escócia, as chamadas Highlands. Fomos a Oban, Fort William, Fort Augustus, sempre por estradas decentes e sem ter de pagar fortunas em portagens. Vimos milhares de ovelhas. Já percebi porque é que lamb está sempre no meu lá na cantina da HP. Vimos lo Loch Ness mas nada de monstro. É engraçado como mesmo depois de sermos crescidos e sabermos que não existe monstro nenhum (ou se existiu já morreu bem morto porque já passaram uns aninhos - o monstro foi avistado pela primeira vez no século 7º) não conseguimos deixar de o procurar pelo lago. Sem ser o lago mais bonito da Escócia, o Loch Ness é um senhor lago, grande, azulão e comprido.
----------
Depois de uma passagem por Inverness e pela chuva violenta das montanhas de Glen Coe, com as suas centenas de pequenas cascatas de água por montes e montes (estes nunca conhecerão uma seca), os optimistas Miguel e Joana passaram as duas pontes que ligam a ilha da Grã-Bretanha à ilha de Skye. O nosso hotel era simpático embora os corredores fossem tão pequenos que nem eu e um minúsculo japonês passávamos ao mesmo tempo, lado a lado.
------------
Pequeno-almoço cedo, para aproveitar o dia. No primeiro Bed & Breakfast onde ficámos tentámos o "Full Scotish Breakfast", mas foi mesmo só para experimentar. Incluía nem mais nem menos que duas salsichas, um ovo frito, bacon, um scone de batata, tomate assado, black pudding (é uma espécie de migas) e cogumelos. Umas 5000 calorias, uma bomba.
Na primeira voltinha pela "Isle" deu para ver que a ilha é pouco habitada. Quase nada. Por pessoas digo, porque ovelhas estão em todo o lado, cada uma com a sua cria, no meio da estrada, por cima dos passeios...
------------
Visitámos e castelo de Dunvegan e apredemos muito sobre o sistema antigo de clãs e mais propriamente sobre o clã McLeod, donos do castelo. O sortudo do herdeiro tem uns belos jardins sim senhor. Passámos depois por Portree, supostamente a "metrópole" da Ilha de Skye. Mas estava tão deserta a dito metrópole! Um grupinho de jovens de 19-21 anos com sacos plásticos cheios de fantas e vodkas e pouco mais. Este grupo de jovens falava Gaélico. Não se entendia nada de nada de nadinha. Vimos umas gaivotas com a cabeça castanha. Por aqui devia haver tanta neblina num destes dias que os corvos confudiram as corvas com gaivotas e saíram uns quantos, como lhes chamou o meu imaginativo husband, "corvotas".
-----------
Castelinhos, museus e jardins à parte, o melhor da ilha de Skye são mesmo as paisagens montanhosas com o mar logo ali. Mas amigos e amigas, nada que chegue aos calcanhares dos Açores. No way. E não entendi porque é que numa ilha tão grande e espaçosa há tantas estradas principais (leram bem, principais) com "one way track", um sentido, pouca visibilidade e alguns "passing ways" (tipo berma para pararmos e deixarmos passar o trânsito). Não habia nechechidadem che che che, for God sake. Apanhámos uns quantos sustos porque os locals não apitam nem nada, a montanha russa de estradinhas pode ser perigosa mas eles é sempre em frente e sem medos! E passam camiões!
-----------
Foram 5 dias frios com um dia menos frio no final. O sol apareceu no nosso passeio pelas margens do rio Dee, o rio que passa em Balmoral, casa (castelo) de férias de Verão da família real Britânica. Póneis, flores, abelhas gigantes e audio tour. Fiquei a saber quase tudo sobre e era Vitoriana e os amores reais. Mas não entendi porque é que passam o Verão na Escócia se aqui não há Verão. Bem... eles lá sabem.
-----------
Perto de Balmoral há uma vila absolutamente amorosa chamada "Ballater". Com alguns B&B engraçados e com 1 igreja por cada metro quadrado.
-----------
De volta a casa ainda passámos por Aberdeen só para ver a praia e depois back to reality.
-----------
O melhor das férias na Escócia: a decoração dos B&B's e o castelo mágico de Eilean Donan.
O pior: o motard que se ofereceu para nos tirar uma foto e pegou na câmara depois de poisar a sandes que tinha na mão e lamber languidamente os dedos...
