segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Barras Market

Onde é que se pode encontrar um mercado popular e cheio de gente e mercadorias a borbulhar e a colorir a paisagem cinzenta de Glasgow? Mesmo ao lado de Glasgow Green, o parque favorito para as manifestações e revoluções dos locals. Por essa e outras razões que ainda não aprendi está edificado a meio (mais à esquerda ou à direita) o People's Palace com o seu anexo de vidro a fugir para um jardim de Inverno considerável.

Foi duro acordar às 8 num Domingo de vento frio e cortante mas ainda bem que o fiz. A Bea tinha-me dito para me juntar a ela num convívio de professora/ alunos de inglês para uma incursão num dos mercados mais populares da cidade. Depois de 40 minutos de autocarro e mais 20 minutos a pé e a queimar as mãos num caffé late horroroso lá estávamos. De repente senti-me de novo em Erasmus. Tinha uma professora simpática que me corrigia o idioma, uns colegas espanhóis, uma filipina e umas amigas escocesas muito divertidas da professora que nos iam fazendo uma visita guiada.

Primeira paragem, mercado das antiguidades. Numa das mesas antigas a dona tomava o seu Earl Grey. Do outro lado do pavilhão uma sala com roupas em segunda mão. Resisti à carteira porque a Bea me disse que era de pessoa mais velha... mas não resisti ao casaco côr-de-rosa. Mesmo com as ombreiras. 5 pounds (uns 6 euros aprox.). Mais á frente paramos para um bacon & sausage roll (tipo uma bifana mas com bacon e salsicha frita), delicioso mas uma autêntica bomba cardíaca. Eu pedi também um chá e enquanto toda a gente ficou com umas mugs aborrecidas com uma rosa ou uma orquídea pintadas, eu fiquei com a rainha, a própria, ali a enfeitar a minha caneca de chá de limão. Claro que bati palmas e a amiga da professora Marion perguntou logo se o dono do botequim me podia vender a caneca. 50 pence (70 cêntimos de euro aprox.). E levei 3 canecas com a rainha. Aqui tudo tem um preço pelos vistos.

Logo mais adiante, mesmo depois das barraquinhas de cassetes VHS e Beta (que saudades...), um mercadinho de souvenirs e utilidades. Pilhas, kilts, esfoliantes de pés e soutiens copa EEE. A Bea comprou uma guitarra para o novio à qual faltava uma corda - que conseguiu mais à frente por 1 pound. O Miguel de Zaragoza comprou uma t-shirt com o símbolo do chocolate Kit-Kat mas cujo conteúdo era bem diferente, cito: "Have a break, have a KuiqKrap". Espero que entendam mas senão eu posso explicar... baixinho.

Já em versão openair havia tapetes, paninhos com receitas típicas da Escócia, sapatilhas Niki e carteiras Diour. Claro que caí numa trapassita e comprei uma carteira Miu Miu por 10 pounds cujo defeito era uma manchina quase invisível e cujo vendedor me jurou a pés juntos ter ido buscar ao lixo das fábricas de carteiras verdadeiras. Eles adoram a nossa carinha de parvos estrangeiros, right? Mas olha, a carteira é gira e nem foi cara, mesmo que fosse da H&M era barrata.

Eis senão quando a Bea dá um gritinho e diz: "Look, a fancy dresses' store!". Claro que entramos todos de rompante e demos com o nariz (não literalmente falando, mas quase) numa exposição de vibradores. Era realmente uma loja de disfarces mas... daqueles mais a fugir para o eróticos. A professora a fingir que estava chocada ai credo é uma sex-shop, vamos embora e fomos a rir-nos um bom bocado pelo caminho. Mmm, mas aquele disfarce de Heidi não estava nada mau!

O descanso merecido e umas fish & ships no restaurante do People's Palace. Muitas crianças ruivas (algumas têm cores de cabelo verdadeiramente inacreditáveis - juro-vos que vi um miúdo com o cabelo côr de cenoura mas MESMO MESMO de CENOURA). Uma boa conversa e a volta a casa com o saco e a bagagem pópulo-cultural menos vazia.

Para saber mais: http://www.glasgow-barrowland.com/market/history.htm

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